quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Tem amigurumi para tudo!

Depois que meu marido declarou solenemente que deve ter o "direito de pisar em coco de cachorrro sem ouvir reclamações"[sic] descubro esse amigurumi. Pode?
Achei o trabalho bom (mas dispensaria o coco na foto).
Será que tem também de torneira mal fechada e porta aberta? Se tiver, juro: vou aprender a fazer! De um jeito ou de outro!
Porque essas são as concessões aberrantes que meu consorte* vem solicitando ultimamente.

* Nesse caso deveria ser "com sorte". Quem mais além de tetezinha aguentaria isso? É! Teve sorte de casar comigo! (E de ainda estar vivo depois das últimas declarações!).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Problemas com definições

Não é preciso ser um especialista em relacionamento, uma psicóloga de casais para saber. A vida em família é ancorada, escorada, sustentada em concessões. Palavra estranha. Conceder. Dar licença. Permitir.
As listas são variadas. Da entrada da casa, ao mais escondido cantinho do quintal, por onde meus olhos pousaram havia concessões. É claro que é mais fácil saber das minhas. Todas as que faço desfilaram por meus olhos. Passar o dia pensando em pequenas coisas? Exercício pequeno!

Aceito que são necessárias. Não me importo tanto com o ato de relevar. Concordo em fazer que não estou a enxergar. Desviar minha mente, abstrair detalhes.

Porém, desde que "pisar em coco de cachorro" entrou na lista de concessões, eu comecei a pensar profundo em outra palavra: interdição!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Terceira idade, cheguei!


Bem sei que a idade cronológica nem sempre coincide com as outras. Tudo bem.
O desejado é óbvio e eu tinha... Quase cinquenta, num corpo de trinta, com uma mente de ...
Eis o problema, acho que minha mente está com os pés nos setenta.
Minha vó, desde que me lembro, chupava bala (a tarde toda). O pote de caramelos ficava junto com as sacolas de lã. Trico e bala. Assim passava a tarde.
Minha mãe também faz trico e chupa balas durante as tardes.
Ontem sai da sala para comprar bala dura porque faltava alguma coisa na minha leitura...

terça-feira, 14 de julho de 2009

No creo en brujas

Ainda bem que não contei para minha mãe. Se ela tivesse notícia do meu embate glorioso com Espírito de Luz Despeitada, a essa hora estaria procurando uma benzedeira! Sim, porque a única explicação que ela teria para meu estado lastimável seria feitiço, olho-gordo, quebranto!
Na quarta-feira passada comecei a ter febre e manifestações de virose variadas... O fim de semana foi triste! Agora posso dizer que estou em recuperação. Mas juro, ainda sinto o estômago dando voltas ao lembrar do cheiro de incenso.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Exorcismo

http://nitrox72.wordpress.com/art/

Pois não é que Espírito de Luz Despeitada resolveu me atacar com um fumacê digno de matar mosquito? Só comigo isso acontece!
Passei pela criatura e nem registrei (é bem possível que tenha feito isso mais vezes, ao longo da semana). Porém, contudo, todavia, hoje ela estava carente. Tipo: "chácaras" desalinhados, alma puída; auto-estima desbotada ...
A criatura acendeu um incenso e resolveu me interpelar. Segurava o pauzinho fumacento fazendo giros e giros enquanto me perguntava o motivo de não cumprimenta-la mais.

Valei-me São Tropeço, padroeiro dos encrenqueiros!

A minha minha esperança de mandar essa alma desocupada passear com um simples "Ah! Desculpa-não-te-vi!" fracassou. Recebi de volta um lamentoso "Não. Não é só isso!" Dizer o que? Não tenho a mínima simpatia pela vossa pessoa? Nem sei se vosmecê existe? Vós e o poste a meu ver se igualam?

O incenso queimava e a fumaça não dissipava...
(Hoje está terrivelmente úmido, com uma atmosfera densa.)
Foram talvez cinco minutos de corredor, até que consegui chegar à porta da rua. Passo a passo, aqueles dois metros pareciam intransponíveis. A cada passo um "Por que?" ou um "O que está acontecendo?" finalizados por um "Só queria entender!".
Vontade de explicar eu tive. Ser simples e plana: não tenho tempo, nem gosto, para conversinha contigo. E somar no fim um: Desaba da minha frente que tenho mais o que fazer! Seria a mais pura verdade. Mas... Mesmo com a fumaça asquerosa, mantive o juízo.

Raiva me deu quando descobri que teria de passar o resto do dia cheirando como uma casa de produtos religiosos. O cheiro do maldito-incenso que o estrupício sacudia impregnou meu blusão de lã. Minha querida malha de lã de vicunha, coisa mais fofa impossível, FICOU FEDENDO! Praga de criatura desocupada!!!

sábado, 4 de julho de 2009

Oh que saudades eu tenho

Fique revoltada! Retiraram de circulação um pedaço da minha infância. Myrurgia não existe mais (pelo menos no Brasil). Meu perfume querido, escolhido na aurora da minha vida, na minha infância querida. NÃO EXISTE MAIS????!!!!
Estou abalada até agora.


Vou levar semanas, meses para me recuperar.
Promessa, Promessa não existe mais?


Como matar um perfume? Como apagar esse cheiro que me acompanha desde os cinco anos? A primeira vez, casamento do meu tio... Morrendo de medo. Entrar sozinha na igreja, carregando as alianças. Quanta responsabilidade para uma criatura tão pequena. Então, a mágica. Minha avó, para me distrair, colocou uma gotinha na gola do meu vestido. Lembro do tapete vermelho e macio e aquele perfume, forte e doce que me acompanhou até o outro dia.
E agora não fabricam mais???

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sabia sabedoria? Fico bege

Além do tempo ser pouco - porque trabalhamos como loucos nesse junho - ter azar! É demais.
Todas as vezes que fui buscar conforto na vadiagem irresponsavél de ler blogs, acabei frustrada ...
Há zilhões de blogs e minha busca é aleatória. Pensei até em criar uma seita. Existe livrinhos do tipo oráculo. Abre-se a obra e pimba! Lá está uma frase edificante ou um bom conselho para seu dia! Pois é. A ideia de desenvolver algo semelhante em relação aos cliques aleatórios (que podem nos destinar ao próximo blog) foi sepultada. Em esquife de chumbo. Nas TRÊS últimas semanas só cai em blogs de:
a) gordas em regime
(É um capítulo extra comentar esses.)
Preciosidades humanas que me emocionaram: "sou gorda mas sou feliz" ( ...) ... mas é claro quero perder uns quilinhos! kkkkkk" . Tá bom. A quem será que ela pensa enganar?
b) ruivas acima e além da humanidade
Não entendo porque, mas alguma moças ruivas parecem ter transtorno de imagem - se acham algo mais do que especial. Ter herdado uma melanina ruim parece confundir as criaturas. As interpretações da realidade são todas ligadas à "ruivez": "só então entendi que sou linda porque sou ruiva" (Pelas fotos dá para ver que é ruiva, mas descreve-la como bonitinha já seria gentileza!); "meu temperamento forte e marcante típico das ruivas" (pelo que entendi, a moça acredita que teimosia e insistência, junto com chatice e inconveniência notórias são necessariamente qualidades de um ser ruivo).
Varri da mente... a blogosfera não pode se tornar um novo oráculo.
(Ou será que isso tudo foi para me dizer que eu devia trabalhar????)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Patrimônio imaterial

Tinha uma idéia do que fosse, mas faltava solidez. Faltava exemplo que motivasse, provocasse brilho, despertasse o interesse... O começo de uma aula, às sete e trinta da manhã e nesse frio, deve ser bem pensado! Um pouco de preguiça e vai-se a manhã inteira em uma aula morna e sem significado.
Patrimônio imaterial? Será que São Google não me inspira? Foi fácil essa idéia. Difícil foi trabalhar depois.
De novo alguém perdido no meu passado aparece na superfície da terra. Um afloramento fossilífero, testemunho de uma era tão remota. Meu primeiro namorado.
Fique chocada. Detesto encontros com o passado desatado de mim. Pessoas que nunca mais vi me aparecem como fantasmas. E como tais eu as recebo! Afinal, elas eram minhas lembranças e não cabe que memórias andem por aí.
Essa vez foi a mais triste. A foto era de um homem relativamente bem conservado (com cabelos, sem barriga) mas cadeirante.
E agora? Como eu ajusto isso às minhas memórias? Eu queria continuar lembrando como era, sem a consciência de como é. Queria para minhas lembranças atemporalidade, eternidade, perenidade, e principalmente: existência real, física em um mundo imaginário. Todas essas fantasias me são roubadas quando alguém aparece...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Caça-fantasmas - devia ter prestado mais atenção nesse filme!

Do nada. Materializou-se do meu lado e guinchou um sonoro: Meu Deeeeus! Há quanto tempo!?! A única resposta que caberia, não pude dar. Era de dizer: Desde a eternidade porque eu nunca te vi antes! Mas ela estava tão entusiasmada com o encontro que a situação se tornou aflitiva. Quem é? De onde? De quando? As perguntas clássicas foram sendo gastas. Tentativas de trazer à luz quem era aquela criatura. E o pior: nada funcionava. Felizmente a mulher falava, falava e falava. Não precisava de mim. Consegui perceber isso e fazendo cara de interesse, aguardei a resposta.
Depois de dez minutos, lembrei de um sugador de ectoplasma. Mesmo sem saber como era exatamente, tornou-se definitivo. Eu precisava de um! E com urgência. Em plena luz, sob o sol implacável no estacionamento, um fantasma vindo dos tempos do colégio grudara em mim.
Foi triste. Aquela mulher (desfigurada pela tinta de cabelo, pela obesidade, pelas bijouterias modernas) tem a minha idade. Foi criança quando eu também era.
Quando acabou, pensei em ir ao banheiro. Precisava de um espelho. Mas confesso tinha medo.
Eu sei do tempo. Sei que é implacável. Mas, sério... não estou tão mal assim.
Prometeu voltar. Agora sabe onde estou! Convidou para chá de ex-alunas. Se crença tivesse, me benzeria!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

kkkk rsrsrsrs huahuhua ... Te desprezo!

Na quietude da noite meu cão apaixonado começou a uivar. Em alto e bom som. Para evitar maiores problemas, o procedimento padrão: trazer a cama do infeliz para dentro de casa, servir ração e boa noite, menino! Incrível como a vontade de amar diminui com a barriga cheia e a cama quente!
Sem sono comecei meu passeio pelo mundo brogui. Foi brogui mesmo! Só queria uma receita de biscoito de natal que fosse mais fácil. Achei. E nem li! Quem escreve receita com risadinhas?
Essa é uma implicância antiga. Detesto. Não leio texto com risadinha (por melhor se seja)! No máximo tolero lá, bem lá, no final de tudo.
Não me importo com :). Sei lá porque isso não me atrapalha! Mas qualquer letrinha interrompendo o texto para indicar risadinha me traz a imagem de um oligofrênico microcéfalo amaurótico. Fala e ri um pouquinho, fala de novo e ri mais um pouquinho.
Se o texto é para provocar riso, é e pronto. Não! A criatura acha que pode tornar um post engraçado só por ficar sinalizando (Eu ri aqui, ó! Aqui é para rir, ó! )
Passei para o próximo. E lá estavam elas de novo (no formato hihihi!). Fique desmotiva. Ligue a TV e achei ... Agente 86. Aí sim, deu para rir.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vale do Colca



Passei o dia lembrando dos abismos que já vi. Abismos mesmo, não “vão” de pontilhão! Estranho que a sensação de ausência minha e presença de profundidade infinita nunca esteve nessas lembranças. Não é de fato uma questão de altura ou imensidão. Se assim fosse, contemplar o vale do Colca, lá do alto da cordilheira, teria me consumido. Acabei revendo as fotos da viagem ao Peru. Éramos novos. Minha fofa nunca tinha visto. Adorou os barcos de totora com cabeças de animais. Deu vontade de voltar a Machu Picchu, ver junto com ela lhamas e vicunhas, burricos peludos, plantações de batata em flor, casas com plantas nos muros, milho com grãos gigantes... Subir e contemplar. Esquecer o olhar no infinito da paisagem ...

Obcecada por obsessão

Minha pátria é minha lingua?
Se Caetano e os demais tiverem razão, está tudo explicado!
O País só pode ser assim porque devemos escrever OBSESSÃO e OBCECADO.
Por que simplificar? Temos mesmo é que errar. Aprendeu a escrever OBSESSÃO? Pois erre ao usar obsecado!
Adquiri esse inestimável conhecimento porque continuei pensando em alturas. Meu cérebro travou em algum tipo de programa google-earth com zoom. Foi começar a dormir (ou quase) e tive a sensação de estar na torre de Notre Dame. Os telhados pequenos, as pessoas menores ainda, a cidade se estendendo. Já Não dormi mais! Foi-se o sono...
Resta hoje aquela sensação de cansaço, a manhã se arrastando e nenhuma possibilidade de fazer a siesta. Pobre dos meus alunos da tarde...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Todo abismo tem seus encantos

Manhã de sol e frio. Caminhada tranqüila. Faz tempo que não chove, riachos com pedras aparentes, açudes com águas baixas. Por curiosidade vou espiar o riozinho. Olho o fundo e lá fica o meu olhar.
Era só para espiar, seguir andando, manter o ritmo.
Não. Eu paro. A profundidade me chama.
Lembro de algo muito antigo, daquele tempo de frases dramáticas escritas em capa de caderno. Há quanto tempo? Tanto. Tanto que tenho a sensação de ser centenária. Centenário? Não. Graduação. Abismos rabiscados em folhas.
O chamado da profundidade foi breve. A vida urge. A estrada é longa. A manhã é curta e hoje quem faz o almoço sou eu!
Segui pensando...
Aqui ninguém morreria. É baixo demais. Alguns ossos quebrados, talvez. Ou então um afogamento no lodo... Com essa temática soturna segui por alguns minutos. Nem era tristeza, nem era espanto. Apenas considerações técnicas? Acho que sim. Matar-me nunca esteve na minha lista.
Mas foi estranha essa experiência de olhar para baixo, o vazio de pensamento, a sensação de um deslizar para o fundo... Lembrei da frase compartilhada por vários numa adolescência remota. Os abismos tem seus encantos. É, pode ser!
Mesmo que seja o abismo de uma pontezinha de cinco metros de altura.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Vou ganhar! Sou mais que má!


Apostei com a minha colega. (Não é todo mundo que eu desprezo!) Digo que logo vamos ter saruel. Ela acha que será cintura alta!
Claro que não contei que já vi o Espírito de Luz discutindo sobre o tema, munida de uma revista com modelos de saruel (tipo manual de instruções, use sem erro!). Ou seja, já está se acostumando com a idéia. (Afinal, ela é vanguarda!)
Vai ser divertido de qualquer jeito. As fashionistas do local são ou baixas e barrigudas ou altas e bundudas. (Ainda que não se enxerguem assim, essa é a mais sólida realidade!).
Os shorts foram eliminados da aposta. É uma opção muito óbvia, nem teria graça.
Está valendo um Chandon Reserve Brut.
Há a possibilidade de empate. Sim, pensamos nisso também! (Porque pode uma das loucas vir de saruel-cintura alta com botas gaudérias. Releitura perfeita do traje típico dos pampas.) Nesse caso, já foi decido (somos justas) cada uma compra uma garrafa e bebemos juntas ...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Esperança de garimpeiro

Definitivamente desistindo das lojas mais populares e das “alternativas”, voltei ao comércio local para uma rápida visita às “boutiques” da terra. Lojinhas muito pequenas e administradas por criaturas que sempre me parecem absolutamente bestas. Lá também encontrei os brilhos. Menos indianidade, é verdade.
Mas, ai!!! Que vontade de dar chilique, gritar: cruz em credo te esconjuro! E Sai que este corpo não te pertence! Porque a dona da loja só podia estar possuída. Não há outra explicação! (Bêbada? Às 10:00? Não!)
Tentou me vender um short de “boa alfaiataria”. Garantiu piamente que junto com a meia grossa/opoca e o sapato de salto altíssimo e torto seria uma excelente roupa de trabalho.
Não era nem uma bermuda, era um short mesmo. Se nele eu tivesse me enfiado, ficaria bem, beeeem mais de um palmo acima do joelho!
Quem vai trabalhar com isso??? Será que as minhas colegas dementes vão aparecer assim???
Ah! Eu vou rir muito nesse inverno!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Meu prazer é teu desgosto!

Feriado. Na santa paz em casa, dia de cuidar de plantas e animais, dia de ler e escrever. Dia também de levantar tarde, fazer almoço e comer com calma! Tempo sobrando em todo canto da vida!Chegam parentes, mais ou menos esperados nessa data (mas não nessa hora, nem nessa quantidade). Onde comem três comem oito? Se for feijão, acho que sim! Mas peixe ...
Com certeza não. Paciência e bela polenta! Mais tomate e rúcula para comer com arroz. Quem mandou não avisar?
Chegar sem avisar é perigoso. Os donos da casa podem ser pegos em situações impróprias. Como hoje. Quando eles chegaram estávamos os três amontoados na sala, de pijama ainda, cada um com seu note fazendo alguma coisa útil.
Foi inevitável:
Que que cês tão fazendo? Credo tão trabalhando! Mas por que???
Continuar esse diálogo como? Dizendo que temos um distúrbio neurológico grave (e que é genético, porque a cria saiu igual)?. Explicar que esse distúrbio nos faz gostar do trabalho? Ou aproveitar o espírito religioso do feriado e dizer que somos abençoados porque encontramos uma atividade remunerada que nos dá prazer? Ah! Que importa! A idéia de que o trabalho não seja um fardo está tão distante deles. Além do que, já nos acham doidos mesmo...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Camisa branca

Voltei ao comércio (mas mudei o perfil de lojas).
Encontrei uma camisa branca, sem brilho, sem pedrarias bordadas ou coladas. Serviu. O corte era bom e o acabamento também. Não tinha o preço na etiqueta (sem é mau sinal!). AH! Que vontade de bater! Quem (em sã consciência) paga 250 reais “no cartão, em três vezes” (cartão da loja, é claro) por uma camisa de algodão?
Que vontade de afrontar. Perguntar descaradamente: Como assim? Foi fiado por Gandhi? Era um pedaço do manto da Madre Tereza de Calcutá? Vai saber. A moda religiosa anda tão na moda por aqui...
Não! A justificativa é outra. É orgânico.
Tem selo de garantia, sabe?! Olha aqui! Foi plantado no Peru! Ah! Tem uma mais escurinha, uma verde e uma vermelha. Não foram tingidas, sabe? O algodão é naturalmente colorido! Vem dos Andes!

Desisti. Voltei para casa. Minha roupa velha não é tão velha assim... Agüenta mais uma estação. Nisso terei tempo de plantar meu próprio algodão, fiar e tecer. Ah! Claro! Também terei que aprender a costurar ...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Eu não visto elefante!

Saí toda faceira. Meio de tarde e eu finalmente rolaria entre vitrines. Inicio a jornada e ... um boa surpresa: que rádio tocaria "Volver a los dezessiete"? Não sei qual era, mas voltei ao passado mesmo (essa música é velha tia!). Com "como el musguito em la piedra" achei vaga com facilidade e comecei a minha busca desenfreada. Sério. estava disposta a comprar tudo! Calça, sapato, camisa, camiseta, saia... Nada me escaparia. O consumismo fervia em minhas entranhas. Hoje eu abriria a carteira com facilidadde e felicidade.

Nunca vi tantas coisas horrorosas, dispostas de modo tão sincrônico. De uma vitrine para outra, juro, havia uma continuidade propositiva. Como se o mesmo vitrinista amalucado tivesse sido contratado por várias lojas e, em cada uma colocasse um pedaço da obra. Olhando o conjunto me pergunto por que o comércio assumiu India Fantasia Global? Tem bata para todo lado, leituras e releituras criando tamanhos e brilhos variados. (Mas sensação final é que tudo brilha muito e é muito grande). Há elefantes também! E deusas com vários braços, seja nas estampas ou nos ornamentos!


E eu como fico? Vestiria abrigo de milico, mas não entraria numa dessas coisas! Volto ao trabalho, insatisfeita e praguejando. Vou arrumar uma costureira, que me faça uma roupa normal! Sem brilho e sem elefante bordado, estampado ou colado!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Quando falta respeito, sobra incompetência!

Acho que estou em um mundo de fantasia, tipo Alice no Mundo dos Espelhos. Ainda que as situações sejam cotidianas, as soluções, os desenlaces, os prosseguimentos não são aqueles que o bom senso ditaria.
O bom senso foi abolido? Exilado? Por que sumiu da Terra?

Agora entendo um pouco. A falta de empenho, a ausência de brilho, o desempenho medíocre. Não é cansaço. Não é desgaste natural. Aquelas camadas que o tempo remove implacável e resultam na exposição de uma vontade frágil, sem energia. A desvontade de fazer coisas não depende da idade, da proximidade da aposentadoria. Quem é incapaz hoje, já era antes.

De um modo muito sutil, o alunado (por mais abobalhado que seja) reconhece isso. Tem tumulto? Gritaria em sala de aula? Cacarejo multivariado? Se a resposta é afirmativa pode conferir: lá está um incompetente plantado na frente da turma.
Os alunos se aproveitam da fraqueza? Sim.
A pata é um bom exemplo disso. Que professor, com o mínimo de auto-respeito dá notas para trabalhos que não foram entregues? Que aluno respeita um professor assim?

Curiosidade mórbida

Estou tentando abstrair várias informações simultâneas. Até a metade da manhã aqui é quase o paraíso (daria para ouvir as harpas angelicais tamanho o silêncio). Depois tudo muda. Rapidamente desço ao inferno. A parede que me separa da sala de aula é finíssima. Dá para ouvir tudo. Tudo mesmo! Normalmente não há problemas. Uso headphone e fico ouvindo música. Sigo o restante do dia em paz. Hoje, infeliz de mim, esqueci os ditos na minha outra bolsa!

Minha colega tem voz de pato (dublaria bem o Donald). A turma dela é grande e são quase todos homens (e homem não fala baixo). Só esses dois elementos bastariam para atulhar meu cérebro. Mas não foi esse o motivo que fez sair do trabalho para o brogue. Ela resolveu pedir silêncio (o tumulto já durava mais de 15 minutos) porque tinham que combinar a avaliação. Depois de alguns SHHHHH (interferência dos próprios alunos para estabelecer silêncio) começou o grasnar:

Olhem! Prestem atenção (repetido pelo menos três vezes). Esse trabalho vai ser metade, METADE, da nota. E não adianta: dessa vez que não fizer fica com zero.É ZERO, gente!

Como assim?

O que essa pata microcéfala demente faz quando um aluno não entrega trabalho?

Agora, querendo ou não, vou descobrir...